Maior parte das pessoas interessadas em adotar uma criança está no Sudeste

04/11/2011 - 01h58

Grande parte das cerca de 26 mil pessoas interessadas em adotar no Brasil reside na Região Sudeste, é casada e tem renda superior a três salários mínimos. É o que mostra o levantamento do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), realizado em outubro. Esse banco de dados foi criado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para reunir informações sobre as crianças e adolescentes disponíveis para adoção, assim como dados sobre os pretendes. O objetivo é traçar o perfil dos cadastrados, possibilitar um raio-X do sistema de adoção no país, permitir políticas públicas na área e agilizar os processos judiciais.

De acordo com o CNA, chega a 26.936 o número de pretendentes em todo o país. Esse número é bem maior que o de crianças ou adolescentes disponíveis – 4.900 no total, segundo o último levantamento. O cadastro aponta que a maioria dos interessados reside na Região Sudeste do Brasil. São Paulo, com 7.162 dos cadastrados, é o Estado que mais reúne interessados. Na sequência, estão o Rio Grande do Sul (4.248), Paraná (3.847), Minas Gerais (3.531), Santa Catarina (2.122) e Rio de Janeiro (1.869).

Salários - O CNA mostra, também, que a maioria dos interessados possui entre 41 a 50 anos de idade (somam 10.578 dos cadastrados). O segundo maior grupo tem entre 31 a 40 anos de idade (8.432 pessoas). Em seguida, destacam-se as pessoas com mais de 61 anos, que chegam a 3.495 do total. Com relação à faixa salarial, o cadastro revela que o maior grupo de interessados ganha entre três e cinco salários mínimos (6.465 dos cadastrados).

Em seguida, vêm os pretendentes com renda entre três a 10 salários (5.819), dois e três salários (4.137), de um a dois salários (3.461) e de 10 a 15 salários (2.222 pessoas). Dos cadastrados, 2.610 têm filhos adotivos.

Exigências – De acordo com o juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça e coordenador do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), Nicolau Lupianhes, a pesquisa e os levantamentos feitos pelo CNJ têm se mostrado importantes para os magistrados que atuam na área. “O CNA se traduz em excelente ferramenta para os operadores do sistema de infância e juventude, pois propicia o atendimento dos melhores interesses das crianças e adolescentes. Esperamos que seja aprimorado cada vez mais e efetivamente utilizado por todos”, afirmou.

Nesse sentido, o CNA evidencia que as exigências dos pretendentes ainda consistem nos principais empecilhos para a recolocação das crianças e adolescentes disponíveis no Cadastro em uma nova família. De acordo com o CNA, apenas 33,79% dos cadastrados aceitam crianças negras, por exemplo. Das 4.900 crianças cadastradas, no entanto, 2.272 (ou 46,37%) são pardas. Outras 916 (ou 18,69%) são negras, 35 (ou 0,71%) amarelas e 29 (0,59%) indígenas. Brancos somam 1.657 (ou 33,82%).

A maior parte também se recusa a adotar grupos de irmãos (82,94% dos cadastrados querem apenas uma criança). Outra restrição está relacionada à idade. O interesse por crianças com mais de seis anos cai consideravelmente, de acordo com o cadastro, ficando abaixo dos 3% segundo o Cadastro Nacional de Adoção.


Giselle Souza
Foto/Fonte: Agência CNJ de Notícias
 

 

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